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sábado, 25 de novembro de 2017

[RESENHA] Só Escute, de Sarah Dessen


Editora: Seguinte
Páginas: 352
Publicação: 2017

Annabel é uma jovem modelo conhecida como “a garota que tem tudo”, por conta de um comercial que participou e ganhou destaque. Porém, ela se sente vazia e o mundo ao seu redor a cada dia parece ruir. No último verão, a amizade com Sophie acabou porque a amiga pensou que Annabel estava tendo um caso com seu namorado, o que não era nada disso. Uma de suas irmãs foi descoberta que estava sofrendo com distúrbio alimentar e toda família tenta encobrir esse assunto. Além disso, quando volta para a escola não tem ninguém com quem sentar na hora do recreio e é obrigada a ouvir pessoas cochichando sobre ela.

"Já li um livro da autora chamado Os bons segredos, e amei a trama e a escrita que Sarah apresentou. Ela é conhecida por trazer assuntos sérios e trabalhar sobre eles de forma sutil. Dessa vez não foi diferente, uma história forte com reflexões importantes para levar para vida."

"Eu estava começando a perceber que o desconhecido nem sempre era o que mais devíamos temer. As pessoas que nos conhecem melhor podem ser mais perigosas, porque suas palavras e seus pensamentos podem não apenas ser assustadores, mas verdadeiros.

Annabel é uma menina que desde criança teve que ser obrigada a fazer tudo que a mãe mandava, por exemplo, desfilar e fazer comerciais como suas irmãs. A família é igual àquelas propagandas de manteiga, aparentemente parece ser feliz e unida. O que é pura ilusão, pois as irmãs não se dão bem, os pais tem atenção apenas nas irmãs mais velha. Annabel sempre foi deixada de escanteio, e nunca teve sua voz ouvida.

Com isso, ela foi crescendo guardando tudo para si, com medo de confrontos e de expressar sua opinião. Um dos exemplos sérios de não se abrir é após vivenciar algo traumático que sempre ficará em suas memórias e parece remoê-la todos os dias.

"[...] a música é uma constante. E é por isso que temos uma ligação tão visceral com ela, sabe? Porque uma música pode te levar instantaneamente a um momento, um lugar ou até uma pessoa. Não importa o que tenho mudado em você ou no mundo, aquela música permanece a mesma, exatamente como em outro momento. Isso é bem impressionante."

A trama nos traz uma personagem fechada para o mundo exterior, porém seus pensamentos são claros e conseguimos nos identificar com sua história no decorrer das páginas. É perceptível como ela amadurece aos poucos, e um dos motivos é Owen, o rapaz sério que se isola no recreio. Eles criam uma amizade e um dos assuntos que permeia entre eles é a música. Annabel além de tomar gosto por música irá se descobrir, aprender a conhecê-la como realmente é.

Sarah Dessen tem uma escrita envolvente e consegue prender o leitor logo nas primeiras páginas. O romance e outros assuntos são plano de fundo para compor a trama, mas o carro chefe da obra é o trauma e como Annabel irá lidar e também a questão do relacionamento familiar. É incrível como a autora trabalha com leveza assuntos sérios.

"O passado afetava o presente e o futuro, de maneiras que conseguimos ver e de milhões de outras que não conseguimos. O tempo não é uma coisa que podemos dividir facilmente; não há meio, início ou fim. Eu podia fingir que tinha deixado o passado para trás, mas o passado não tinha me deixado."


Para os fãs de Young Adult mais focado para o drama essa é uma ótima indicação. É um livro envolvente, com uma trama contendo assuntos sérios, porém trabalhados com sutileza. Contém romance, mas nada muito detalhado, o foco é mais como a protagonista vai amadurecendo e se conhecendo por meio de sua própria história.
                                                                     

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[RESENHA] Tash e Tolstói, por Kathryn Ormsbee

Editora: Seguinte.
Páginas: 376.
Publicação: 2017.


Tash e Tolstói, escrito por Kathryn Ormsbee, é um livro juvenil que pretende abordar uma forma de amar pouco conhecida chamada assexualidade. Uma pessoa assexual é aquela que pode ter interesse romântico por outras pessoas, porém sem ter vontade de fazer sexo. É através dos olhos de Natasha Zelenka, uma adolescente de 17 anos que ama Tolstói, que Kathryn abordar essa temática.

Narrados em primeira pessoa, o livro é dividido em capítulos relativamente curtos que fazem com que a leitura flua muito rapidamente. A escrita de Kathryn é leve e fluída, como um livro para jovem abordando um assunto delicado como esse deve ser.

A história conversa bastante com o dia de hoje. Tash e sua melhor amiga Jack criaram uma websérie para o YouTube chamada Famílias Infelizes, uma adaptação contemporânea do romance russo Anna Kariênina. Quando seu canal é mencionado por uma famosa youtuber, ele viraliza da noite para o dia e ganha milhares de seguidores. Isso faz com que Tash se torne um pouco obsessiva com tudo o que envolve a websérie, como cronograma de filmagens, e não perceba que algumas coisas estão mudando ao seu redor. Em pouco tempo, Famílias Infelizes é indicada ao prêmio Tuba Dourada como melhor série estreante. E essa é a oportunidade de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber por quem ela sente um forte interesse.

Kathryn aborda a assexualidade de Tash de forma bem sucinta, entre outros assuntos pertinentes à adolescência de qualquer garota. Por isso, não esperem encontrar aqui uma visão profunda sobre o que significa o A na sigla LGBTQIA. A assexualidade de Tash é, assim como a sexualidade de qualquer pessoa, apenas mais um elemento que compõe sua pessoa. Porém, senti que a autora podia ter explorado melhor o assunto. Arrisco a dizer que se não fosse falado em algum momento, não teria feito muita diferença à história.

Falando em história, é impossível ler este livro sem se deparar com todos os spoilers possíveis de Anna Kariênina. Como o romance é um clássico, provavelmente a regra do spoiler não deveria prevalecer tanto. Mas sempre deu aquela pontada no peito quando a autora contava alguma coisa relacionada ao romance de Tolstói. Foi duro ler os spoilers? Foi, mas faz parte.

Caso vocês terminem a leitura de Tash e Tolstói interessados em conhecer a história que inspirou Famílias Infelizes, a Companhia das Letras lançou recentemente uma versão de Anna Kariênina.
                                                                     

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

[ESPECIALl] "Só perguntas erradas", de Lemony Snicket

Olá, galera! É o Seguinte, hoje eu vou comentar com vocês sobre uma série muito divertida que eu acredito que muitos de vocês vão gostar. Vocês poderiam me perguntar: quem é o autor desses livros? E eu diria que essa é uma pergunta muito errada. Erradíssima, caro leitor. Afinal, quem é que ainda não ouviu falar de Daniel Handler?


Bem, talvez vocês não o conheçam por esse nome. Daniel Handler escreveu a série "Desventuras em série" com o pseudônimo "Lemony Snicket". Todos os treze volumes das desafortunadas aventuras dos irmãos Baudelaire são publicados pela Companhia das Letras. A série de livros inspirou um filme com Jim Carrey e ganhou uma adaptação na Netflix, com Neil Patrick Harris. Além desses treze livros, Lemony Snicket possui outras obras publicadas. Dentre elas, está a série "Só perguntas erradas" em que ele próprio narra alguns acontecimentos da sua adolescência num vilarejo muito peculiar.

No primeiro livro, Quem poderia ser a uma hora dessas?, Lemony Snicket se torna aprendiz de S. Theodora Markson em uma missão para recuperar um artefato roubado que talvez não tenha sido de fato roubado. O segundo livro, Quando você a viu pela última vez?, retorna com Lemony e Theodora tentando desvendar o mistério do desaparecimento da herdeira da Tintas S. A., a empresa responsável pela extração da tinta dos polvos no vilarejo. Durante suas investigações, descobrem uma pista misteriosa: um semibilhete escrito com tinta invisível. Mas por que a herdeira da Tinta S. A. escreveria um bilhete invisível tento toda a tinta de polvo às mãos?

Você não deveria estar na escola? tem um ritmo de leitura diferente dos dois primeiros, se tornando mais lento. Neste livro, Lemony precisa investigar os incêndios que estão ocorrendo no vilarejo e que estão forçando as crianças a irem para a escola. Antes de falar do último livro, é bom comentar um pouco sobre 13 incidentes suspeitos; o livro traz, como o título sugere, treze contos mostrando pequenas investigações à parte à história principal que Lemony realiza em Manchado-pelo-mar. Todos eles possuem resolução nas páginas finais.



Por que esta noite é diferente das outras?

No meio da noite, Theodora escapa sorrateiramente da suíte que divide com Lemony e pega um trem. Ao persegui-la, Lemony nota que outras pessoas estão tentando escapar da cidade também. Mas por quê?

É uma coisa engraçada, mas que eu gosto muito quando leio uma série. Ver o crescimento dos personagens. Este quarto livro não traz apenas um amadurecimento por parte do Lemony, mas a narrativa está mais densa e traz muito mais questionamentos do que eu esperava quando comecei a ler o primeiro livro. Isto de modo algum é ruim ou diminui a qualidade do livro. Enriquece muito. É claro que algumas pessoas não vão gostar, podem achar bem moroso uma vez que os outros livros têm uma dinâmica diferente. Eu não cheguei a ler os livros de Desventuras em série, mas como conheço algo sobre sei que alguns nomes citados neste último livro fazem parte da outra série.

Concluindo

No todo, recomendo muito a série para quem quer se divertir de forma despretensiosa. A narrativa em primeira pessoa é carregada de humor e referências a livros clássicos e contemporâneos - é preciso ficar bem atento para pescar essas referências. O trabalho gráfico está bem bonito, da capa, passando pelas diversas ilustrações internas, à quarta capa.

                                                                     

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

[Resenha] A Melodia Feroz (Monstros da Violência #1) de Victoria Schwab


Editora:  Seguinte
Páginas: 384
Publicação: 2017

A cidade de Veracidade é divida em dois lados: Sul e Norte. Norte é o lado da família Harker, que deixam os monstros livres, mas são liderados por um líder humano. Já o lado sul é o lugar de paz, onde não há violência por parte dos monstros e esse local é liderado por Flynn. Dois lugares opostos que está prestes a se chocar. Kate Harker é filha de um homem frio e sanguinário e controlador de monstros, August é um monstro que usando seu violino e por meio de uma nota musical é capaz de roubar as almas de humanos.

August se espelha no pai e não quer ser um monstro. Kate quer ser cruel e tão mal quanto o pai. Sentimentos e desejos opostos. August é convocado para ficar próximo de Kate para vigia-la, mas será difícil de guardar sua identidade. Com um evento crítico os dois terão que unir forças e lutar contra monstros que estão atrás de um único objetivo: matar.

Desde que a editora Seguinte divulgou a capa e sinopse fiquei bastante curioso para conferir a história de A Melodia Feroz, pois parecia ser uma trama original e atraente. E foi realmente que achei. Uma leitura ágil e ao mesmo tempo intensa.

Kate é uma garota problema, pois desde a morte de sua mãe foi enviada para viver em colégios internos, porém sempre era expulsa por algum vandalismo. Seu desejo é morar com o pai e ser como ele: cruel e frio. Dentre esses atos, a garota consegue o que sempre desejou e é enviada para o Norte de Veracidade. August é um sunai, espécie de monstro que se alimenta de pecados dos humanos, e seu instrumento para capturar almas é o violino que através de uma nota musical é capaz de se alimentar. Ele é convocado para se aproximar de Kate, pois a organização da região sul está planejando algo.

Há três tipos de espécies de monstros em Veracidade: os sunais que foram citados acima, os corsais que se alimentam de carne e osso e os malchais de sangue. Os sunais são monstros raros.

A leitura começa de forma branda e recatada, mas aos poucos os personagens foram ganhando espaço, o universo começou a ser mais explorado e finalmente a engrenagem da história começou a movimentar. Senti que no primeiro momento foi no intuito de apresentar os personagens o universo, mas esse último foi mostrado muito pouco, pois informações importantes para compreendermos melhor foram apresentadas só mais para frente, onde os eventos já estavam acontecendo e foco era apenas na ação.

Algo que me prendeu foi a interação dos protagonistas, pois não torna um romance, pois a condição de August – um monstro – não faz com que ele sinta sentimentos afetivos. Porém, é evidente que uma centelha de amizade é construída baseada na confiança.

A escrita de Victoria é objetiva e ágil. Tenho sérios problemas com cenas de ação, pois o autor deve saber narrar os atos dos personagens para melhor visualização da narrativa. Victoria conseguiu com esmero narrar de forma simples, mas com precisão e de forma direta.
                                                                     
Para os fãs de fantasia essa é uma ótima indicação. Um livro que irá tratar da sobrevivência e de mistérios que rodeiam a vida dos personagens, pois estão fugindo de algo desconhecido, mas aos poucos isso é desvendado, fazendo com que não seja tão previsível. A leitura foi rápida e os personagens são bem construídos.


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

[Resenha] A prisão do Rei (A Rainha Vermelha #3), de Victoria Aveyard


Editora: Seguinte
Páginas: 552
Publicação: 2017

A Rainha Vermelha #1
A Coroa Crel #0.1/0.2
Espada de vidro #2
                           
Em Espada de Vidro acompanhamos Mare e toda sua equipe na procura de outros indivíduos vermelhos com poderes, o que foi uma aventura intensa com muitos momentos tensos. Com a reviravolta de Mare se entregar a Maven deixará a Guarda Escarlate com vários planos para resgatar a garota elétrica. Mare tem como objetivo principal para o rei de Norta em ser instrumento para atrair outros vermelhos com poderes, com o intuito de construir um exército.

O que Maven não esperava é que os inimigos podem estar muito perto do que imagina. Para manter no poder será necessário muitas estratégias e decisões importantes para o povo e o seu trono. Mare tem esperança de sair, mas com os acontecimentos esse desejo desmorona dia a dia.

Os dois livros da série foram recheados de surpresas e reviravoltas. Isso é sinônimo de manter o leitor atento e curioso do começo ao fim. No entanto, em A prisão do Rei esse sentimento de ansiedade não despertou em mim. Foi uma leitura difícil de concluir.
Mare foi capturada por Maven e acompanhamos o seu dia a dia e como seu futuro será traçado. Ela é um mero objeto de mostrar aos outros que a Guarda Escarlate não é capaz de tirar o seu poder. A garota elétrica não nenhum poder, por conta de sua algema de pedra silenciosa. Aos olhos de Mare apenas acompanhamos as ações do rei e dos outros ao seu redor.

A autora dessa vez decidiu ampliar os pontos de vistas e deu voz narrativa para dois personagens da história: Cameron, recém-membro da Guarda Escarlate e Evangeline. Gostei de Cameron por ser uma figura que não está tão contente de onde está, pois o seu único motivo de estar na Guarda é para resgatar seu irmão em um lugar onde há milhares de crianças para enfrentar inimigos. Nesse ponto de vista conseguimos ver os próximos passos do grupo. Já Evangeline, podemos ter contato do seu ponto de vista mais para frente da trama, em um momento propício.

Infelizmente a leitura desse volume não me prender, pelos simples fato da autora inserir diversas cenas desnecessárias. Situações que poderiam ser cortadas e tornado o livro mais enxuto. Portanto, a trama, para mim, se tornou arrastada e enfadonha. Poucos plots twists e quando ocorria era num grande espaço de tempo. Para mim foi cansativo ficar acompanhando tantos eventos que poderiam ter sido narrados de maneira objetiva.

Victoria inseriu novos personagens à trama e deu a entender que serão importantes para os próximos acontecimentos na história. Já adianto que o livro termina de uma maneira que irá gerar grande curiosidade no leitor, para mim não chega ser um grande cliffhanger.


Para os fãs da série, como eu, aconselho a não ir com tanta sede ao pote. Conseguimos as respostas do que no livro anterior deixou algumas pontas soltas, mas não criou em mim aquele sentimento de querer devorar o livro até ele acabar, muito pelo ao contrário, fiquei longos dias lendo. Fico triste quando isso acontece, mas fazer o que, não é? É a vida. 
                                        

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Resenha | O Ceifador (Scythe #1), de Neal Shusterman

Editora: Seguinte.  
Páginas: 448.
Publicação: 2017
                                                                     

É sempre bom quando inicio a leitura de uma nova história sem saber muita coisa sobre ela. Assim, eu tenho mais chances de ser surpreendido e gostar do que vou encontrar. O Ceifador chegou para mim através de uma prova adiantada que a Editora Seguinte enviou a alguns parceiros antes do lançamento oficial do livro, que ocorre no dia de hoje, 17 de abril de 2017.

Em um momento superior de 2042, a humanidade descobriu como vencer a morte. Homens e mulheres passaram a viver por longos períodos. Mas a imortalidade trouxe consigo um novo problema: a superpopulação. Como lidar com o aumento da humanidade? Foi então que um grupo se ergueu para resolver essa questão. Os ceifadores, regidos pela Ceifa, possuem o poder de matar as pessoas. Ou coletá-las, como eles preferem dizer. É aí que entra uma das melhores questões a respeito desse livro: quando se tira a morte da seleção natural e a passa aos homens, isso se torna um ato egoísta ou necessário?

Através de Citra e Rowan, dois adolescentes de 16 anos que tiveram uma experiência singular com um famoso ceifador, vamos nos aprofundando no cerne da Ceifa. A Era da Mortalidade fornece dados que embasam as escolhas dos ceifadores. Por exemplo, se um número X de homens morriam em acidentes de trânsito antes é preciso que um número X de homens seja coletado agora. É no mínimo curioso que a mortalidade sirva para controlar a imortalidade. As coletas ocorrem por vários métodos, como por lâminas, tiros ou até mesmo golpes de lutas. Só para citar alguns.

Os ceifadores são humanos e nem sempre suas coletas são fáceis de serem feitas. Afinal, as pessoas coletadas são importantes para alguém. Por isso, muitos dos ceifadores procuram oferecer uma morte digna e consolo às famílias que ficam. Como toda forma de poder dada aos homens, a coleta também é direcionada para objetivos pessoais. Há uma força no livro que, apesar de seguir os mandamentos que regulam as coletas, extrapola o que se espera de um bom ceifador.

Abordar morte em livros para jovens é algo que deve ser tratado com muito cuidado. O grande trunfo de Neal, autor também de Fragmentos, é levantar a discussão sobre o que se fazer quando se tem um grande poder em mãos. Um mangá que abortar esse assunto de forma semelhante é Death Note, em que o poder de eliminar criminosos se concentra em uma única mente. As duas histórias divergem nesse aspecto, uma vez que em O Ceifador qualquer um pode ser coletado, inclusive crianças. Há coletas que causam algum desconforto enquanto lemos, isso não tem como negar. E outras que a gente fica devidamente curioso para saber como ocorrerá, como a primeira que testemunhamos realizada por Goddard.

O Ceifador é o primeiro livro da trilogia Scythe. Após aquele final e a alguns acontecimentos prévios, eu não faço ideia de como será sua continuação. Embora tenha uma pequena sugestão sobre isso na página de diário que encerra o livro.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

[RESENHA] A Rebelde do Deserto de Alwyn Hamilton


 
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Publicação: 2016

Em uma cidadezinha chamada Vila da Poeira, vive Amani Al’Hiza, uma garota inteligente e destemida. Neste lugar a cultura é rígida como em breve ela terá que se casar e ser uma vida submissa. A cidade é governada por Mirajis, pessoas mortais. Porém sempre há conversas ao redor das fogueiras sobre criaturas místicas poderosas, sobre djinnis que utilizam magia.

Amani vive em constante humilhação e sofrimento após a morte da sua mãe. Morar com parentes nunca foi tão horrível para ela. Além disso, a cultura opressiva para mulher, órfão e pobre é demais. Amani se enquadra nos três requisitos. A garota vê a necessidade de fugir desse lugar que só promete ter um futuro amargo. Assim que conhece Jin, um forasteiro misterioso toma a decisão de fugir com ele. Grandes aventuras a esperam, além do mais irá descobrir mais sobre si mesma e suas origens.
Ouvi muitos burburinhos na blogosfera sobre este livro, então tomei logo a decisão de ter minha própria opinião. Após a conclusão da leitura respirei fundo para tomar fôlego, pois os eventos e tudo que acontece nesta história o leitor irá precisar de uma grande quantidade de ar.
Amani é uma personagem que a literatura está precisando. Ela é destemida, forte, inteligente e busca sempre mostrar que é capaz. Viver num lugar onde as pessoas constantemente olham torto para você não é fácil, porém Amani contorna isso e vive um dia de cada vez superando certas situações horríveis. Ela poderia muito bem viver de melodramas, mas seu posicionamento é outro. Ela se conscientiza que não há tempo para alimentar dramas dentro de si, a necessidade de sair de sua cidade e ir ao lugar que sua mãe sempre sonhou em morar é maior.
A relação entre Amani e Jin inicia de forma fraca, mas aos poucos foi crescendo e tornando cada vez mais forte o elo. Não há um romance forte e declarado, mas a tensão e a química entre ambos são alimentadas de forma bem sucedida durante a trama. Acho que a relação dos dois irá ser mais explorada no próximo volume.
Os personagens são muito bem construídos. São fortes e com personalidade autêntica. As lendas e os conflitos também foram bem desenvolvidos e me mostrou ser um dos pontos altos da história, pois elas que trazem elementos de ação e veracidade.
A escrita de Hamilton é fascinante. Ela consegue envolver o leitor do começo ao fim, fazendo com que cada capítulo tenha algum desdobramento e ação. Os elementos de fantasia, ação e romance são dosados na medida certa, ingredientes que foram capazes de me fazer virar a noite para saber o que iria acontecer com determinado personagem ou como iriam resolver certa situação.
Para os fãs de fantasia, “A rebelde do deserto” é um prato cheio de uma trama bem escrita e desenvolvida. Além de conter aventura, a história também traz lições que pode se remeter à realidade como buscar a liberdade e se desprender de tudo aquilo que te aprisiona, mesmo sem saber como será o futuro ou como irá ser as consequências de seus atos, arrisque-se. O valor da mulher também é mostrado na trama. Um lugar onde as mulheres não tem nenhuma importância, Hamilton mostra personagens fortes e capazes de reverter essa visão.
O segundo volume já tem título “Traitor to the Throne”, será lançado dia 7 de março de 2017 nos Estados Unidos. A capa ainda não foi divulgada. Estou ansioso para ler mais sobre a história de Amani.       

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

[RESENHA] O livro de memórias de Lara Avery


Editora: Seguinte 
Páginas: 392
Publicação: 2016

Sammie desde muito nova planejou seu futuro, seria assim: ser oradora da turma, sair de sua cidadezinha com quinhentos habitantes e ser advogada especializada em direitos humanos na faculdade de Nova York. Porém, isso são apenas planos, nada definitivo. Pois a realidade será outra para ela. Ela é diagnosticada com a doença chamada Niemann-Pick C, que possui vários sintomas, entre eles a perda de memória.

Assim que soube da doença ela decidiu não escrever um diário, mas um livro para quando ela perder a memória, como ela diz, para a Sammie da Futuro, saber de sua história e de tudo que viveu. Neste livro é ela derrama seus sentimentos mais sinceros, suas inseguranças, mas também sua esperança de encontrar um meio de dar a volta por cima. Ela não aceita que a doença derrubará seus sonhos e tudo aquilo que ela planejou.

A doença não é o protagonista da vida de Sammie, pois ela com a cabeça erguida vive a sua vida naturalmente. Compete em debates, vai em festas com sua recém amiga Maddie e tem uma paixão por Stuart, ex-aluno de sua escola que batalha em ser escritor e o envolvimento de sua família ao encarar essa batalha junto com ela. Muitas lições serão mostradas por Sammie.

Quando li a sinopse deste livro fiquei curioso para saber mais da história de uma menina que está prestes a perder a memória. Quando a leitura foi iniciada meus sentimentos por Sammie foi aumentando gradativamente através de sua força e otimismo.
"Não estou me iludindo: sei que estou doente. Mas não vou me preparar para o fracasso"
Me deparei com algo diferente sobre a narrativa da obra. O livro não é narrado em forma de diário, mas sim de um livro que a própria protagonista escreve para ela mesma, ou seja, o leitor é um mero “curioso” que está “invadindo” seus segredos e seus sentimentos do dia a dia. Essa forma de narrativa foi um dos pontos altos para fazer com que a leitura fluísse e trouxesse mais emoção para a história de Sammie.

Ela é uma garota estudiosa, inteligente e uma das suas características mais fortes é o otimismo. Mesmo diagnosticada com uma doença séria, ela não abaixa a cabeça e decide enfrentar da melhor maneira possível sem nenhum drama. Há momentos em que suas emoções não são fortes o bastante? Com certeza, mas ela é uma pessoa que não se entrega, mas sim batalha diariamente em busca da sua melhora para conquistar seus sonhos e sair de sua cidade para viver experiências de uma universitária cursando direito em Nova York. Além dos seus sonhos e sua doença, Sammie conversa consigo mesma sobre sua amizade com Maddie e sua paixão por Stuart.

Os eventos que transcorrem a trama são extremamente envolventes, trazendo outras vozes à narrativa, fazendo com que complete mais a história de Sammie. Ela transmite lições tão sérias e simples capaz de emocionar o leitor.
"Muitas coisas não são prováveis. Tudo é possível"
A escrita de Lara é objetiva e construída com esmero. Seus personagens possui diferentes personalidades, conflitos concisos e coesos, cenas emocionantes e engraçadas. Ela consegue juntar vários elementos para não tornar a trama pesada, forçada e mecânica, mas trouxe naturalidade.


Para os fãs de “Carta de amor aos mortos”, “A culpa é das estrelas”, este livro é recomendadíssimo! Um sick-lit emocionante, trazendo uma protagonista forte e que escolheu superar suas dificuldades, escrita fluida e eventos que certamente fará com que o leitor se envolva com os personagens. Amei cada momento e lição passada.
                                                                     

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segunda-feira, 20 de junho de 2016

[RESENHA] A Coroa (A Seleção #5) de Kiera Cass

 
Editora: Seguinte
Páginas: 310
Publicação: 2016

Atenção, leitores! Contém spoilers de A Herdeira

Resenha de A Herdeira #4
      
Com a saúde crítica de America, Maxon desestabilizado com as situações da esposa, Eadlyn terá que reger Illéa. Com a ausência de seu pai, terá que pôr em prática tudo aquilo que aprendeu com ele. Terá que tomar decisões que poderá definir o futuro do seu povo, conseguir a aceitação deles e ainda por cima continuar a Seleção para decidir quem será o seu futuro marido. Eadlyn passará por intensas emoções, mas terá que liderar sabiamente e tomar decisões não só para seu povo, mas também do seu coração.
Não estava com muitas expectativas para esse último volume da série, pois quando terminei o anterior não me agradei com a protagonista e como estava andando o enredo da trama. Mas sou leitor brasileiro, aquele que não desiste nunca, decidi encarar o último round. E não é que me surpreendi?!
 
O livro anterior para esse foi um divisor de águas com relação à Eadlyn. Em “A Herdeira”, ela pode ter se mostrado alguém com personalidade forte, mas a prepotência, egoísmo e as atitudes infantis sobressaíram e conseguiu queimar os eu filme. Porém, após a situação crítica de sua mãe, ela terá que tomar as rédeas do reino. Ela verá o árduo trabalho de seu pai para com essa posição séria e difícil. Isso gerará um amadurecimento rico, fazendo com que ela deixe o seu “eu” de lado e foque mais no seu povo. Eadlyn deixa de ser individualista e compartilha e aceita mais opiniões contrárias, começa a crescer como pessoa adquirindo sabedoria. Além disso, ela terá que continuar a Seleção e decidir quem será o seu futuro companheiro. Nesses diversos acontecimentos e tomadas de decisões, estratégias também deverão ser elaboradas para sair de uma situação ameaçadora contra o trono.
O amor verdadeiro, era capaz de tornar uma pessoa mais forte diante das circunstâncias, ainda que fosse necessário enfrentar a maior decepção da vida ou carregar o peso de um país nas costas.
A narrativa linear e clichê não seguiram fielmente como esperados. A autora propôs uma história de contos de fadas, mas com algumas reviravoltas e conflitos que dependeriam das decisões da protagonista, o que também fez me surpreender como Kiera soube amadurecer Eadlyn de forma natural e rápida. É nítida diferença da Eadlyn antes de ser líder e depois.
Kiera conseguiu fazer com que a continuação da trama de Eadlyn fosse satisfatória. Com personagens amáveis, conflitos coerentes e diálogos objetivos. Fez com que a leitura fosse envolvente, fluida e ágil. Após terminar o último volume da série A Seleção cheguei à conclusão que a autora fechou com chave de ouro. E espero muito que ela não crie alguma ideia de continuar, pois temo muito que tudo aquilo construído possa ser destruído por uma sequência desnecessária.
Amor. Eu achava que o amor era como uma roupa, incapaz de vestir duas pessoas do mesmo jeito. Ainda não sabia ao certo o que aquela palavra significava para mim, mas tinha a sensação de que chegaria a uma definição antes do que imaginava. Só restava saber se a definição me satisfaria.
Para você, leitor, que leu A Herdeira, fique tranquilo. Este livro é diferente daquilo que você acompanhou e poderá se surpreender como aconteceu comigo. Termino essa série feliz, pois Kiera trouxe segredos da época de A Seleção na história de Eadlyn, o que pra mim foi fascinante. Outro fato que gostei foi não ter focado intensamente na Seleção, mas também nos assuntos políticos para Illéa.
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