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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

[RESENHA] Um Banquete para Hitler de V. S. Alexander


Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Publicação: 2018



Magda Ritter é uma jovem alemã que está em busca de seu primeiro emprego. Mandada do interior, onde sua família morava, para a capital, Berlim, para morar com uma tia, logo ela percebe que o clima político ronda a cidade com muita força. O governo que acaba de tomar o poder está ganhando cada vez mais adeptos. Um governante conquistador está deixando a nação cada vez mais orgulhosa e feliz de seus feitos durante o combate histórico que acontecia. Estamos em 1943, no meio da Alemanha nazista.

Sua tia logo a alerta que, em virtude dos homens estarem indo à guerra e as mulheres destes estarem tendo que ocupar diversos campos de trabalho, conseguir um emprego não é fácil e as vagas que estão disponíveis são sempre para ocupações que pagam muito pouco e onde se trabalha muito. Além disso, caso não esteja alistada ao partido nazista, ela provavelmente não conseguirá nenhum tipo de ocupação. Magda se vê tendo que entrar para um campo que nunca gostou: a política. Lá, ao comentar que precisava trabalhar, uma integrante sugere a ela a única ocupação que sobrou: a de provar a comida que era servida ao Fürher, o próprio Adolf Hitler.

Após passar por treinamentos de segurança própria, de como deveria dar sua vida para defender a de seu líder e de como diferenciar todos os tipos de venenos, plantas, cogumelos e pós possíveis usados em alimentos que poderiam levar alguém à morte, além de, claro, ter uma grande introdução da filosofia nazista em sua cabeça, Magda começa a trabalhar lado a lado do ser humano mais tirano que já existiu. Ela começa a perceber que, mesmo as pessoas que lhe são de confiança, já começam a ter desconfiança de que ele não está mais em suas faculdades mentais e de que as coisas que ele faz são desumanas. Magda então, usando das armas que consegue e de sua inteligência, tentará fazer algo que poderá colocá-la para sempre na história do mundo.

Um Banquete para Hitler é um romance que mescla ficção e história numa mesma narrativa. De fato existiram provadoras da comida de Hitler na vida real, mas nenhuma se chamou Magda Ritter nem há provas de que algumas delas foi responsável por fazer o que a protagonistaa fez no livro. Outros personagens também seguem esse mesmo formato de narrativa.

Sempre gostei de livros sobre Segunda Guerra Mundial e gostei bastante da premissa e do desenvolvimento desse. O ou a autora (que usa um pseudônimo e cuja identidade não foi revelada), tem uma narrativamuito envolvente e sabe mesclar bem os momentos de drama, suspense e ação, além de ter feito uma boa pesquisa histórica antes de escrever. 

Recomento a todos que gostem de livros com essa temática e para quem estiver interessado em saber mais sobre como se deu o momento mais triste da história da humanidade sob o ponto de vista do governo nazista.


                                                                     

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terça-feira, 16 de outubro de 2018

[RESENHA] Mil Palavras, de Jennifer Brown

 
Editora: Gutenberg
Páginas: 208
Publicação: 2018


Ashleigh seguia o clichê americano high school. É uma garota bonita, que andava com as populares, quer dizer, ela era uma. Namorava o garoto jogador de basquete e que está prestes a ir para faculdade. O pacote completo de satisfações fúteis em tempos de colégio, mas ela nunca pensou que mandar uma foto íntima para o namorado poderia destruir todo esse padrão, sua reputação e perder a confiança daqueles que mais amava.

Para quem conhece as histórias de Jennifer Brown sabe que ela não poupa em temas profundos, sérios e traz uma narrativa nua e crua a respeito do tema principal que está sendo abordado. Mil Palavras não foi diferente. As expectativas que eu estava aguardando para conferir essa história desde que vi a capa e sinopse foram correspondidas. 

Ashleigh é uma atleta e feliz pela vida que tem. Com um namorado que ama e tem certeza que essa recíproca é verdadeira, apesar dela viver muito a vida do rapaz do que aproveitar dias com seus amigos. Mas ela pensava que se estava com ele tudo valia à pena. Após um período de insegurança, por saber que Kaleb, seu namorado está indo para a faculdade e talvez ele encontraria alguém, logo ouviu o conselho de uma amiga para tirar uma foto íntima, para mostra-lo para lembra-lo de quem ele namorava.

A mudança do rapaz não foi diferente. Vários dias sem ligar, quando atendia estava nervoso e com vozes de mulheres ao redor. Isso foi crescendo até Ashleigh ter um acesso de raiva e contagiar Kaleb, ao ponto dele fazer com que várias pessoas tivessem acesso a foto que sua namorada mandou em privado.

Sua reputação foi manchada, todas as ações boas foram esquecidas e o que prevalecia é o sentimento de vergonha e o costume de ouvir entre os corredores xingamentos como oferecida, vadia, menina fácil, etc. Foram tantas vezes que ouviu que isso tornou uma anestesia para ela, pois quando os xingamentos vinham parece que amortecia, pois nenhum xingamento superava a dor que Ashleigh sentia toda vez que levantava e lembrava de tudo que viveu.

A trama traz um tema atual e importante a ser discutido. Aqui não encontramos a fórmula padrão da jornada do herói. Aqui acompanhamos a trajetória de uma menina que poderia ser alguém próximo a você superando a vergonha e a dor de ter uma foto espalhada para todos os lugares, até mesmo chegando aos jornais. 

É comovente acompanhar o processo de superação d Ashleigh e o quão é importante ter pessoas ao seu lado para dar apoio, pois quando não tem, para ir ao lado obscuro é muito mais fácil.

A escrita de Brown continua envolvente e instigante. Com personagens reais, conseguimos nos identificar e criar empatia para com a protagonista. A autora consegue despertar diversos sentimentos em nós no decorrer da trama, principalmente de revolta com Kaleb.

Para os fãs de uma trama que traz ao leitor uma história que pode estar acontecendo nesse momento, uma narrativa convidativa e personagens reais, esse livro é uma ótima recomendação. No final da história tem uma entrevista com a autora, em que Brown explica o processo de criação e o motivo de escrever essas histórias tão profundas, tristes e comoventes, como Amor Amargo e A Lista Negra.
 
                                                                     

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[RESENHA] Gritos no silêncio, de Angela Marsons


Editora: Gutenberg
Páginas: 320
Publicação: 2018
       
Gritos no silêncio é o livro em que a autora Angela Marsons nos apresenta a detetive Kim Stone - finalmente eu leio um livro que inicia a vida detetivesca de um personagem, eu só estava lendo, sem saber, continuações. Neste livro, vamos acompanhar o mistério que envolve o incêndio que houve há alguns anos numa casa de apoio a crianças e adolescentes. Nesta mesma época, cinco pessoas realizam um pacto de sangue para manter em segredo um crime enterrado nos jardins do local. Porém, como uma sombra insistente, o passado retorna e começa a caçar as pessoas envolvidas naquela trama.

Eu e minha mania de não ler muito sinopse e me deixar levar pelo nome e capa de livro, me fez imaginar que Gritos no silêncio se tratava de uma leitura de terror. Um estilo bem sobrenatural. Afinal, olhando a capa a gente - eu, pelo menos - chega a imaginar uma mulher que, sem medo, está pronta para enfrentar o que está assombrando aquela casa destruída. De certo modo, a detetive Kim Stone é essa mulher forte e determinada a enfrentar tudo e todos por questão de justiça, mesmo que tenha de passar por cima de algumas ordens bem diretas de seus superiores.

Enquanto realizava a leitura, eu estava direcionando minhas suspeitas a um personagem, tentando fazer uma ligação entre o nome do livro e uma situação em que ele vive. Fico pensando o quão foda seria se a autora tivesse optado por esse personagem como o principal culpado dos crimes atuais. Marsons apresenta uma questão psicológica que me fez pensar que seria bem melhor aproveitada num livro futuro. É claro que essas impressões que eu estou falando aqui não são críticas à história apresentada e, sim, um espírito editorial que se apossou de mim e me fez imaginar que outras direções fariam o livro se tornar mais dinâmico em alguns momentos e com ganchos para outras histórias mais profundas.

Agora, uma crítica que eu preciso fazer é em relação à revisão. Em vários momentos espaçados do livro, percebi ausência de palavras, erros gramaticais e sobra de palavras e letras. Isso me incomodou um pouco, embora não tenha interferido diretamente na experiência de leitura.

A narrativa de Marsons é bem tranquila de ler. Eu só não li o livro mais rapidamente por conta de tantos outros textos da faculdade - faço Letras Português, na UFES. O gênero literário é reconhecido facilmente, tanto pelas estruturas narrativas quanto pelo uso do léxico tão comum em literatura policial. Quem curte o gênero, vai gostar bastante.
                                                            

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

[RESENHA] Amor Amargo, de Jennifer Brown

Editora: Gutenberg
Páginas: 256
Publicação: 2015


Alex está em seu último ano do ensino médio e logo a faculdade está batendo na porta. Porém, antes disso acontecer, ela e seus amigos, Bethany e Zach, planejam fazer uma viagem ao Colorado. Mais por culpa de Alex, pois sua mãe morreu em viagem à cidade, e isso a atraiu em saber o que sua mãe queria encontrar lá.

Ela é monitora após a aula e Cole, é o seu novo aluno e recém chegado à escola. Tudo poderia se encaminhar perfeitamente, como sorrisos bobos aqui, elogios ali, um convite para um encontro acolá. Porém, aos poucos indícios de algo intenso e errado vão adentrando nas janelas da bolha de Alex e ela se vê presa em algo que jamais pensou em estar.

Jennifer Brown é a mesma autora de A Lista Negra, uma trama triste e com um tema atemporal, o bullying. Em Amor Amargo, ela nos apresenta uma história também triste e que muitas pessoas estão vivenciando, o relacionamento abusivo. Um tema atual e tão comentado nas rodas de conversas e até mesmo na mídia.

Alex é uma garota que nitidamente é possível ver algumas feridas internas, como a morte de sua mãe, o isolamento do pai e os conflitos com suas irmãs. A família após a morte da matriarca se tornou algo desequilibrado. No entanto, Alex tem seus amigos Bethany e Zach para ajudá-la em qualquer situação.

Uma das vontades da protagonista é atendida por eles, viajar até o Colorado e conhecer a cidade que sua mãe estava indo, porém ela faleceu em um acidente de carro. Isso a fez refletir sobre o que sua mãe foi fazer lá. Isso criou expectativa para explorar o local.

Apesar dos conflitos familiares, Alex tenta viver bem e com seus amigos ela ganha apoio. Até conhecer Cole, o garoto que tem o desejo de entrar para o time de basquete, mas precisa de aumentar suas notas. Ela será responsável de ajuda-lo em algumas matérias. O convívio vai atrelando em algo mais sério até um convite para o primeiro encontro. Isso foi a faísca para se criar um relacionamento.

No início, Cole é gentil e amável. Porém, aos poucos ele vai mostrando sintomas de ser alguém problemático, como sentir ciúmes dela com o seu melhor amigo, Zach. Começa a criar caso para afastar delas dos seus amigos. O que vai só intensificando com xingamentos, colocando ela como culpada das situações em que ele mesmo causa, pedidos de perdão e promessas de mudança, mas na verdade é um ciclo vicioso que vai só se agravando.

Jennifer escolheu um tema propício para abordar nessa trama. Ela apresenta o relacionamento abusivo e seus sintomas de forma cru, sem florear em nenhum momento. Conseguimos shippar o casal no começo, mas depois até bate aquele arrependimento. É triste ver que o que acontece com Alex, diversas mulheres estão presas a um relacionamento tóxico desse jeito.

A trama narrada em primeira pessoa aflora em nós um sentimento de impotência, fazendo com que sentimos uma vontade enorme de entrar no livro abraça-la e fazer com que ela fique o mais longe do embuste do Cole.

No final do livro Jennifer responde algumas perguntas importantes sobre o tema central da trama. Ela que tem a capacidade de falar de maneira mais profunda, pois é formada em psicologia 

Para os fãs de temas assim, essa é uma ótima indicação. Uma trama envolvente que fará o leitor repensar sobre relacionamentos, pois a violência não é só física, mas verbal e psicológica. Jennifer Brown mais uma vez nos presenteia com uma obra intensa e reflexiva.
 
                                                                     

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