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terça-feira, 16 de outubro de 2018

[RESENHA] Mil Palavras, de Jennifer Brown

 
Editora: Gutenberg
Páginas: 208
Publicação: 2018


Ashleigh seguia o clichê americano high school. É uma garota bonita, que andava com as populares, quer dizer, ela era uma. Namorava o garoto jogador de basquete e que está prestes a ir para faculdade. O pacote completo de satisfações fúteis em tempos de colégio, mas ela nunca pensou que mandar uma foto íntima para o namorado poderia destruir todo esse padrão, sua reputação e perder a confiança daqueles que mais amava.

Para quem conhece as histórias de Jennifer Brown sabe que ela não poupa em temas profundos, sérios e traz uma narrativa nua e crua a respeito do tema principal que está sendo abordado. Mil Palavras não foi diferente. As expectativas que eu estava aguardando para conferir essa história desde que vi a capa e sinopse foram correspondidas. 

Ashleigh é uma atleta e feliz pela vida que tem. Com um namorado que ama e tem certeza que essa recíproca é verdadeira, apesar dela viver muito a vida do rapaz do que aproveitar dias com seus amigos. Mas ela pensava que se estava com ele tudo valia à pena. Após um período de insegurança, por saber que Kaleb, seu namorado está indo para a faculdade e talvez ele encontraria alguém, logo ouviu o conselho de uma amiga para tirar uma foto íntima, para mostra-lo para lembra-lo de quem ele namorava.

A mudança do rapaz não foi diferente. Vários dias sem ligar, quando atendia estava nervoso e com vozes de mulheres ao redor. Isso foi crescendo até Ashleigh ter um acesso de raiva e contagiar Kaleb, ao ponto dele fazer com que várias pessoas tivessem acesso a foto que sua namorada mandou em privado.

Sua reputação foi manchada, todas as ações boas foram esquecidas e o que prevalecia é o sentimento de vergonha e o costume de ouvir entre os corredores xingamentos como oferecida, vadia, menina fácil, etc. Foram tantas vezes que ouviu que isso tornou uma anestesia para ela, pois quando os xingamentos vinham parece que amortecia, pois nenhum xingamento superava a dor que Ashleigh sentia toda vez que levantava e lembrava de tudo que viveu.

A trama traz um tema atual e importante a ser discutido. Aqui não encontramos a fórmula padrão da jornada do herói. Aqui acompanhamos a trajetória de uma menina que poderia ser alguém próximo a você superando a vergonha e a dor de ter uma foto espalhada para todos os lugares, até mesmo chegando aos jornais. 

É comovente acompanhar o processo de superação d Ashleigh e o quão é importante ter pessoas ao seu lado para dar apoio, pois quando não tem, para ir ao lado obscuro é muito mais fácil.

A escrita de Brown continua envolvente e instigante. Com personagens reais, conseguimos nos identificar e criar empatia para com a protagonista. A autora consegue despertar diversos sentimentos em nós no decorrer da trama, principalmente de revolta com Kaleb.

Para os fãs de uma trama que traz ao leitor uma história que pode estar acontecendo nesse momento, uma narrativa convidativa e personagens reais, esse livro é uma ótima recomendação. No final da história tem uma entrevista com a autora, em que Brown explica o processo de criação e o motivo de escrever essas histórias tão profundas, tristes e comoventes, como Amor Amargo e A Lista Negra.
 
                                                                     

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

[RESENHA] Amor Amargo, de Jennifer Brown

Editora: Gutenberg
Páginas: 256
Publicação: 2015


Alex está em seu último ano do ensino médio e logo a faculdade está batendo na porta. Porém, antes disso acontecer, ela e seus amigos, Bethany e Zach, planejam fazer uma viagem ao Colorado. Mais por culpa de Alex, pois sua mãe morreu em viagem à cidade, e isso a atraiu em saber o que sua mãe queria encontrar lá.

Ela é monitora após a aula e Cole, é o seu novo aluno e recém chegado à escola. Tudo poderia se encaminhar perfeitamente, como sorrisos bobos aqui, elogios ali, um convite para um encontro acolá. Porém, aos poucos indícios de algo intenso e errado vão adentrando nas janelas da bolha de Alex e ela se vê presa em algo que jamais pensou em estar.

Jennifer Brown é a mesma autora de A Lista Negra, uma trama triste e com um tema atemporal, o bullying. Em Amor Amargo, ela nos apresenta uma história também triste e que muitas pessoas estão vivenciando, o relacionamento abusivo. Um tema atual e tão comentado nas rodas de conversas e até mesmo na mídia.

Alex é uma garota que nitidamente é possível ver algumas feridas internas, como a morte de sua mãe, o isolamento do pai e os conflitos com suas irmãs. A família após a morte da matriarca se tornou algo desequilibrado. No entanto, Alex tem seus amigos Bethany e Zach para ajudá-la em qualquer situação.

Uma das vontades da protagonista é atendida por eles, viajar até o Colorado e conhecer a cidade que sua mãe estava indo, porém ela faleceu em um acidente de carro. Isso a fez refletir sobre o que sua mãe foi fazer lá. Isso criou expectativa para explorar o local.

Apesar dos conflitos familiares, Alex tenta viver bem e com seus amigos ela ganha apoio. Até conhecer Cole, o garoto que tem o desejo de entrar para o time de basquete, mas precisa de aumentar suas notas. Ela será responsável de ajuda-lo em algumas matérias. O convívio vai atrelando em algo mais sério até um convite para o primeiro encontro. Isso foi a faísca para se criar um relacionamento.

No início, Cole é gentil e amável. Porém, aos poucos ele vai mostrando sintomas de ser alguém problemático, como sentir ciúmes dela com o seu melhor amigo, Zach. Começa a criar caso para afastar delas dos seus amigos. O que vai só intensificando com xingamentos, colocando ela como culpada das situações em que ele mesmo causa, pedidos de perdão e promessas de mudança, mas na verdade é um ciclo vicioso que vai só se agravando.

Jennifer escolheu um tema propício para abordar nessa trama. Ela apresenta o relacionamento abusivo e seus sintomas de forma cru, sem florear em nenhum momento. Conseguimos shippar o casal no começo, mas depois até bate aquele arrependimento. É triste ver que o que acontece com Alex, diversas mulheres estão presas a um relacionamento tóxico desse jeito.

A trama narrada em primeira pessoa aflora em nós um sentimento de impotência, fazendo com que sentimos uma vontade enorme de entrar no livro abraça-la e fazer com que ela fique o mais longe do embuste do Cole.

No final do livro Jennifer responde algumas perguntas importantes sobre o tema central da trama. Ela que tem a capacidade de falar de maneira mais profunda, pois é formada em psicologia 

Para os fãs de temas assim, essa é uma ótima indicação. Uma trama envolvente que fará o leitor repensar sobre relacionamentos, pois a violência não é só física, mas verbal e psicológica. Jennifer Brown mais uma vez nos presenteia com uma obra intensa e reflexiva.
 
                                                                     

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