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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

[RESENHA] Um Acordo e Nada Mais (O Clube dos Sobreviventes #2), de Mary Balogh


Editora:Arqueiro
Páginas: 304
Publicação: 2018


Sophia Fry sempre viveu às sombras de seu tio, tia e prima. Ela não é criada como uma criada, mas também não é tratada como membro da família. Seu cabelo mal cuidado, suas roupas não acompanhavam à moda da época. A família apelidava a dama de ratinha. Sua mãe fugiu e seu pai morreu em um duelo por se envovler com uma mulher casada. Sophia cresceu com a autoestima baixa, por julgamentos e olhares que foram criando raízes de mágoa e contentamento que não era mulher o suficiente para se casar.

Já Vicent, é um dos sobreviventes das guerras napoleônicas. Infelizmente ele voltou com sequela, na qual perdeu a visão. Por conta disse, sua família, regada por mulheres sempre foi muito protetora logo quando ele voltou da guerra. Ele estava cansado, pois estava ansiando por liberdade. Após dispensar uma pretendente para se casar, algo que sua família estava torcendo que acontecesse logo, decidiu fugir e se exilar juntamente com seu amigo e valete Martin Firsk. 

Barton Coombs foi o destino de Vicent, o lugar em que ele cresceu e foi muito feliz. Lá também é que Sophia mora e eles não imaginavam que uma história de amor começaria após Sophia salva-lo de uma emboscada planejada pela sua família. Após ser expulsa de casa, Vicent se sente na responsabilidade de ajuda-la, pois foi por ele que seus familiares a deixaram na sarjeta. Ali começava a história que eles escreveriam além das aparências e dos julgamentos.

 "O futuro tinha o hábito de nunca ser como o esperado ou o planejado."

Li Uma Proposta e Nada Mais, primeiro volume da série O Clube dos Sobreviventes, e não me conquistou tanto. Achei muito dramático e pouco mostrado o desenvolvimento do casal. Por outro lado, Um Acordo e Nada Mais se mostrou superior ao anterior. Tudo aquilo que senti falta no primeiro fui suprido nesse.

Sophia é uma moça que foi abandonada pela mãe, ficando sozinha com o pai, que não era flor que se cheire. Ele se envolveu com uma mulher casa e foi morto pelo marido da amante. A menina foi enviada para morar uma tia, que a tratava mal e com frieza. Essa tia faleceu e foi morar com outra tia, com seu marido e prima. O que poderiam ser uma família feliz e unida, mostrou o contrário, pois a tratavam nem como criada, mas também não demonstravam nenhum tipo de carinho com a garota.

Quando ela conhece Vicent algo aflorou em seu coração, mas ela sabia que ele não se interessaria por ela, por vários motivos enumerados em sua mente. Após salva-lo de uma emboscada para se casar com sua prima, o tio a expulsa de casa e a deixa sem para onde ir. Quando Vicent soube logo se dispôs em ajuda-la, mas ela não esperava que uma acordo seria oferecido: se casar com ele. Ambos se beneficiariam, pois ela teria um lugar para onde morar e sentiria em segurança e ele conseguiria sair do sufoco em que estava vivendo, pela sua família sempre querendo protege-lo, por conta de sua condição.
 "Nas nossas fraquezas, talvez possamos encontrar forças."
O casal no início se tratavam como amigos, mas a relação foi amadurecendo. Eles foram se conhecendo intimamente, aprofundando na vida um do outro, até que sentimentos fossem brotados e em pouco tempo floresceriam. Amei como o casal foi crescendo gradativamente. Como Vicent foi essencial para ajudar Sophia a se sentir linda e especial. Sophia também foi importante para ele, por abrir meios para que ele ganhasse sua independência dentro de sua própria casa.

A escrita de Mary Balogh é envolvente e com os personagens foi a cereja do bolo para que a leitura fluísse. Sophia e Vicent tem uma química forte e se tornam cúmplices no decorrer da trama. Os outros integrantes do Clube dos Sobreviventes aparecem e conhecemos mais um pouco de suas histórias. Apesar da trama não conter tantos momentos de clímax, os conflitos que foram apresentados foram os suficientes para que ajudasse na dinâmica do livro.

Para os fãs de romance de época, esse livro é uma ótima indicação. Apesar de não ter gostado tanto do primeiro, o segundo compensou. Uma história que fala sobre recomeços, a busca da autoestima, da gentileza e da solidariedade. Cada capítulo é uma porção de amor compartilhada da autora para seus leitores.
 
                                                                     

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quarta-feira, 18 de abril de 2018

[RESENHA] Uma proposta e nada mais (O Clube dos Sobreviventes #1), de Mary Balogh

Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Publicação: 2018

Após a tragédia com seu marido, Gweendoline, também conhecida como lady Muir, nunca tinha pensado em se casar novamente. Ela vivia uma vida pacata, sem muitas preocupações. No entanto, ao passar dos anos sua vida solitária começou a incomodá-la e estava no aguardo de conhecer um homem calmo, refinado e que a completasse.

Hugo Emes, o lorde Trentham, é um dos sobreviventes das guerras napoleônicas. Ele e seus seis amigos anualmente se encontram para rever e compartilhar notícias de suas vidas durantes o ano que passou. Porém, ele não esperava socorrer uma jovem na praia e que despertasse algo dentro do seu interior.

Aos poucos Gwen e Hugo se conhecem e percebem que apesar das farpas trocas podem se dar bem juntos. Interesses de ambas as partes poderão encontrar um final feliz ou a ruína de um relacionamento frustrado.
"As pessoas conhecem a linguagem do coração, mesmo que a cabeça nem sempre consiga."
Li alguns livros da série anterior de Mary Balogh, Os Bedwyns, e gostei da bastante da escrita da autora, como personagens, diálogos e o desenvolvimento da trama. No primeiro volume da série Clube dos Sobreviventes também gostei da escrita da autora, porém alguns momentos os personagens me irritaram.

A trama é narrada em terceira pessoa e explana muito bem as histórias dos personagens e seus pensamentos. Gwen é uma mulher aparentemente frágil por sua estatura e aparência, mas aos poucos ela vai mostrando sua personalidade forte. Hugo é o típico personagem que prefere demonstrar sua atitude rude como uma casca protetora, mas por dentro é gentil e se preocupa com as pessoas ao eu redor. Ele herdou a fortuna do pai e agora terá que administrá-la e cuidar de sua irmã mais nova e madrasta.

O relacionamento dos protagonistas começam com trocas de farpas, olhares furtivos e pensamentos resistindo ao máximo o desejo pelo outro. Porém, os sentimentos são mais fortes e vão se aproximando.
"A vida era um pouco como caminha numa corda bamba fina e desfiando, sobre um abismo profundo com rochas pontiagudas e alguns animais selvagens esperando no fosso. Era perigoso, e empolgante."
A autora trabalhou com esmero o passado de Gwen e Hugo. Ela é uma viúva com traumas do passado. Ele é um sobrevivente de uma guerra e viu colegas morrerem. Portanto, as feridas do passado refletem no presente e poderão ser curadas no futuro. Há momentos na trama que os personagens começam a refletir e até mesmo dialogar um com o outro seus sentimentos e senti que ficou um tanto arrastado. Compreendo suas histórias de perdas e culpas, mas isso vai se torando maçante e torna a leitura enfadonha.

A escrita de Balogh é envolvente e consegue prender o leitor do começo ao fim. Personagens bem construídos e diálogos construídos com esmero. Os conflitos da autora são verossímeis e a trama abre um leque dos possíveis futuros casais.


Para os fãs de romance de época, Uma proposta e nada mais é uma ótima recomendação. Há colheradas bem recheadas de drama, mas o romance também se faz presente durante o enredo.
                                                                     

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