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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

[RESENHA] Willow de Julia Hoban



Editora: Leya
Páginas: 350
Publicação: 2014

Willow é uma jovem que esconde um segredo. Ela tem 17 anos, numa cidade do interior dos Estados Unidos e trabalha em na biblioteca da faculdade local. Tudo em sua vida mudou há sete meses, quando seus pais resolveram sair para jantar e, por beberem um pouco além da conta, chamaram-na para dirigir de volta pra casa. Porém, um terrível acidente aconteceu e Willow foi a única sobrevivente. Desde então ela carrega a culpa de ter matado os seus pais e se julga uma assassina. Agora, ela mora com seu irmão mais velho, David, que é professor universitário, com sua cunhada, Cathy e com sua sobrinha recém-nascida. Porém o que ela não conta para ninguém é que, desde o ocorrido, ela vem praticando cutting em si mesma. Ou seja, ela faz mutilações, cortes, ao longo de todo o seu corpo para que a dor física seja superior à dor psicológica.

Consumida pela culpa, Willow se afastou de tudo e de todos os que a cercavam. Ela não fala mais com seus antigos amigos, vive sozinha pelos cantos do colégio e o seu relacionamento com seu irmão é cada vez pior, pois ela acha que David a culpa pela morte dos pais. Até que, num dia normal de trabalho na biblioteca, ela conhece Guy, um jovem que estuda no mesmo colégio que ela mas faz algumas disciplinas na faculdade para obter créditos extras. E é a partir daí que ela mergulhará em um torrencial de sentimentos que a levarão a questionar sua vida e sua visão de mundo.

Willow é um drama familiar com toques de romance que mostra a superação de uma jovem em lidar com a tragédia familiar que lhe acometeu. Além disso há a criação de um romance pautado na confiança e no autodescobrimento de dois jovens que encaram problemas fortes à sua maneira.

O livro é narrado em terceira pessoa e temos o ponto de vista da protagonista do início ao fim. Não se trata de uma leitura fácil pois as temáticas tratadas são muito delicadas. O tema do cutting ou autoflagelação toca num perfil psicológico difícil de lidar. No caso de Willow, ele começa como uma forma de esquecimento da dor, com outra maior ainda. Isso vicia e traz transtornos não só físicos como psicológicos e sociais muito graves. Não vou entrar no debate deste tema, não é o meu objetivo com essa resenha, mas aconselho a qualquer pessoa que conheça alguém ou esteja passando por uma situação similar, a busca de ajuda e acompanhamento psicológico o mais rápido possível. E esse foi o ponto em que o livro deixou de receber as cinco estrelas na avaliação final.

O romance é extremamente bem escrito, a narrativa de Hoban é muito gostosa de se ler. Porém, a ausência do elemento terapêutico na história me incomodou bastante. Entendo que a autora queria demonstrar que a força do amor dos dois poderia levar a protagonista a substituir esse hábito, mas não acredito que a mensagem passada deva ser somente essa. Outro ponto me incomodou bastante, mas como é algo que só ocorre (ou, no caso, deixa de ocorrer) no final, não revelarei para não dar spoiler.

No mais, a história se desenvolve muito bem. As cenas de Willow são bem trabalhadas, principalmente o seu psicológico e as suas motivações. A relação dela com o irmão também foram bem esclarecidas, com fortes sentimentos em todos os diálogos. É interessante ver o monólogo interno da protagonista sempre girando em torno da prisão que ela mesma fez em si própria por conta da morte de seus pais. Guy é um personagem muito agradável de se ler. Ele é o típico mocinho dos livros: protetor, amável e que fará de tudo para manter Willow sempre bem. Suas falas são muito bem estruturadas e seu papel na história é ímpar para o desenvolvimento do plot principal. A descoberta do amor por ambos é um dos grandes pontos do livro e acompanhar esse desenvolvimento é muito gostoso.

Recomendo a todos que gostem de dramas fortes com romances infanto-juvenis.
                                                                     

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

[RESENHA] Rendição (Surrender #1) de Maya Banks



Editora:  LeYa
Páginas: 336
Publicação: 2014

Após três anos da morte de seu marido, Joss tomou a decisão de seguir em frente e realizar um desejo antigo. Mas por conta do passado de Carson, seu marido, isso não pode se realizar... Até agora. Há uma forte vontade dentro dela pela submissão. A necessidade que alguém a domine. O que ela não sabe é que Dash, o melhor amigo de seu marido sempre foi apaixonado por ela. Ele é um dominador. Juntando o útil ao agradável um relacionamento avassalador poderá nascer entre eles, porém será que a dor da perda e os conflitos internos de cada um poderão superar tudo e a paixão prevalecer?
                
Esse é o primeiro volume da trilogia “Surrender”. Cada livro contará a história de um personagem. As personagens Kylie e Chessy terão seus livros específicos, já percebemos isso logo no primeiro livro.
                
O meu desejo era fazer uma resenha muito empolgante a respeito desse livro. Eu gosto da escrita de Maya, porém não foi nada agradável para mim. Porém, esperava um pouco por causa da trilogia “The Breathless”. O primeiro volume “Obsessão” foi bom, o segundo mediano. No entanto o terceiro com o nome “Fogo” deveria ser trocado para Gelo.
                
Joss é uma mulher insegura e que é 100% dependente de alguém. Ela deixou o emprego para ficar em casa com seu marido. Depois que morreu mesmo que indiretamente, sua dependência passou para Dash, mesmo como amigo. Isso me irritou, pois ela no livro inteiro não teve opinião própria e não consegui identificar nenhuma personalidade vindo dela. Dash por outro lado, mostrou-se muito babão e a palavra “Querida” estava em todas as falas dele (não sei se foi pela tradução ou a autora realmente mergulhou nessa palavra durante a narrativa).
                
Normalmente quando lemos algo sobre BDSM (Bondage, Disciplina, Submissão, Sadismo e Masoquismo) lemos algo na superfície, mais raso. Porém, Maya construiu uma história envolvendo essa prática no profundo e o que não gostei. Achei muito estranho e me incomodou em vários momentos.
                
Os conflitos são bem fracos. O que era pra ser solucionado apenas com uma conversa transformou-se em uma tempestade num copo d’água. Os diálogos mecânicos não me envolveram e fiquei um bom tempo preso na história.
                
Um livro para os fãs de literatura erótica, mas não vá com muita sede ao pote. Leia calmamente e veja se a leitura te deixará instigado. A obra não me prendeu por eu não ter conseguido ter empatia com nenhum dos personagens. 
                                                                     

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

[RESENHA] Desaparecida de Catherine Mckenzie's




Editora: Leya
Páginas: 320
Publicação: 2014

                
Emmaline, mais conhecida como Emmy tem 34 anos e tem tudo que uma mulher gostaria de ter. Ela é advogada, com um cargo bem sucedido, e em breve poderá ser sócia da empresa em que trabalha, um namorado bonito, uma casa e uma mulher amiga. Porém, tudo muda em sua vida após a morte da sua mãe. Emma recebe uma passagem de presente da mãe que deixou para ela rumo à África. Ela nunca pensou em viajar para tal país, mas como presente de sua mãe, ela aceitou e arrumou as malas.
                
Durante a viagem complicações acontecem e que mudam totalmente o rumo da vida de Emma. Após seis meses, ela retorna para Londres – sua cidade natal – mas tudo que ela tinha, desapareceu. Sua casa está sendo habitada por um homem misterioso, Dominic, desencontros com pessoas que eram íntimas delas acontecem. Ela então descobre que consideraram Emma como morta, isso a deixa abatida e faz questionar tudo a sua volta.
                
Emmy deverá, então, recomeçar sua vida, apegando-se a quem ela ama – ou pelo menos ela acha que ama. Ela questionará se sua vida antes realmente era tudo aquilo que sonhava, se tal acontecimento que mudou o rumo da sua vida realmente foi o destino que lhe deu mais uma chance de ser feliz.
                
Quando comecei a ler o livro tive uma grande expectativa por ter um mistério inserido na história. O título já sugere algo obscuro e provavelmente que será desvendado. Porém, nada disso acontece, não há mistério. O motivo do título do livro já nos é respondido logo no começo, o que foi uma grande decepção.
                
Tive empatia com a protagonista, mas em alguns momentos ela me incomodou. Dominic, o homem misterioso é uma peça fundamental na vida de Emma e se mostra prestativo para ela. Há outros personagens que ganham destaque, como a Brigada das Iniciais, três colegas de trabalho de Emma que ajudarão ela no decorrer da trama. São engraçados e trarão uma pitada de humor para a trama.
                
A maioria dos começos dos capítulos tem um flashback do que aconteceu com a protagonista durante a sua viagem à África. Isso dará algumas respostas e histórias vivenciada por ela. A autora usa essa técnica em outras partes, mas não há nenhuma indicação que está tendo essa mudança de tempo, é tudo misturado e foi o que me deixou confuso na maioria das vezes. A autora também poderia investir mais na parte do romance, que foi pouco explorado.
                
Há conflitos paralelos na história, ao invés de focar somente no recomeço de Emma. O seu envolvimento com Dominic, que gostei de como a autora construiu o relacionamento dos dois e um mistério envolvendo um sumiço de um quadro e que fará Emma queimar alguns neurônios para solucionar esse problema. Há uma chapiscada de misticismo também.

O livro tem uma lição bem sutil e reflexiva. Situações que não são nada agradáveis poderão vir para mudar a nossa vida de certa forma para melhor, para crescermos e amadurecermos.
                
O que posso dizer desse livro é que foi bom e desgostoso para mim. Um lado é que a escrita é fluida, mas a expectativa pode nos levar a um grande precipício de ilusão. Porém, foi em parte foi agradável e a leitura é rápida.
                                                                     
"A vida não espera. Você tem de fazer acontecer. Você tem de vivê-la enquanto está acontecendo ao seu redor. A vida segue em frente".

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

[RESENHA] Level 2 (The Memory Chronicles #1) de Lenore Appelhans



Editora: Leya
Páginas: 334
Publicação: 2014

Felicia Ward morreu. Mas ao invés de ir ao céu ou ao inferno, ela está presa no Level 2, um plano intermediário entre o céu e a Terra em que as pessoas passam horas plugadas em câmara individuais, revisitando as memórias do que teve na Terra: sua família, seus amigos, sua escola, etc. Tais memórias também podem ser compartilhadas com outras pessoas, ou seja, tornadas públicas. Um dia uma garota, Beckah, acaba sumindo. Estranhamente, ninguém se recorda dessa garota, apenas Felicia.

Como estava prestes a completar 18 anos, Felicia apenas recorda de sua vida na infância e adolescência. Ela morreu em um acidente de carro, em que estava junto com seu namorado que sobreviveu, Neil. É quando começa a acessar uma memória dele que ela vê Julian, um garoto que conheceu em vida, entrando por uma porta. Porém, naquele local só existem garotas e ninguém o viu por lá, nem mesmo suas melhores amigas Vírginia e Beckah.

É quando sua melhor amiga some que Felicia começa a se questionar o real sentido da Colmeia, como é chamado o local onde elas estão, em virtude dos formatos de casulos de cada sala. Existiria algo além do Level 2? Para onde Beckah foi? 

Logo, nossa protagonista descobre que uma guerra está prestes a acontecer e que ela poderá ver Neil novamente, desde que se junte aos rebeldes, anjos que se revoltaram contra os Morati, também anjos, guardiões do Level 2. Não se sabe o motivo, mas eles estão a sua procura, por ela ter algo de especial. É í que começa a jornada de Felicia em busca da salvação da humanidade.

Level 2 é o primeiro livro da trilogia The Memory Chronicles, que já tem os seus três volumes publicados lá fora. A narrativa da Lenore Appelhans é incrivelmente leve e tranquila de ler. Mesmo o livro tendo mais de 300 páginas, consegui terminá-lo em um dia. A criação do universo é boa, com poucos detalhes, beirando o superficial. A narração é em primeira pessoa, sob o ponto de vista da protagonista o tempo todo.

Confesso que não gosto muito quando um livro mistura mais de um gênero, nesse caso, distopia com sobrenatural. Em Level 2 isso não funcionou muito bem. A ideia de matar a protagonista para só então colocá-la sob uma organização ditatorial não fluiu, podendo a mesma história ser escrita com todos os personagens vivos. Há muitos clichês durante a história (a garota normal que tem algo de especial e tem que fugir para salvar a humanidade), o que me incomodou um pouco.

Por ser o primeiro livro de uma trilogia, esperava que a autora detalhasse mais o pano de fundo, embasando mais o passado dos personagens. Porém a sacada que ela teve de colocar esse embasamento dentro da memória da protagonista foi muito boa e diluiu bastante as partes longas do texto,  ao mesmo tempo que cria um mistério que prende o leitor.

Recomendo a todos que gostam de distopias e que queiram uma leitura leve.
                                                                     

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segunda-feira, 28 de julho de 2014

[SORTEIO] O Cavaleiro dos Sete Reinos



Oi, pessoal!

O C&T em parceria com a editora Leya, está sorteando um exemplar do livro O Cavaleiro dos Sete Reinos do George R. R. Martin! \o/



O livro é um spin-off da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Já fiz resenha dele aqui no blog, para conferir basta clicar aqui.

Para participar, basta preencher o formulário abaixo:


Se tiver alguma dúvida, pode deixar nos comentários. Lembrando que você deve residir no Brasil para participar. O livro será enviado pela editora, que terá um prazo de 45 dias úteis para o envio. Pode participar quantas vezes quiser.

Boa sorte a todos! \o/

sábado, 5 de julho de 2014

[RESENHA] A Menina que Não Sabia Ler de John Harding

Editora: Leya
Páginas: 288
Publicação: 2010

Em 1981, na Inglaterra, Florence vive em uma grande mansão afastada da cidade grande, com seu tio e tutor, com seu irmão mais novo e com os empregados da casa. Ela é criada de modo a não ter contato com o exterior da mansão, sabendo muito pouco sobre sua origem, sobre o que aconteceu a seus pais e sobre a cidade onde vive. Seu tio também a esconde e a protege bastante, de modo que ela não consegue fazer amigos e brincar com eles, o que seria normal para uma garota de sua idade. Em virtude disso, ela passa os dias correndo pelos corredores da casa e criando histórias dentro de sua cabeça. Até que um dia ela, ao entrar num cômodo para se esconder, descobre uma grandiosa biblioteca, até então desconhecida. Com isso, ela começa a aproveitar os livros e devorá-los para passar o tempo. Porém, ela faz isso escondida, pois seu tio não quer que ela saiba ler.

A mansão onde vive é cercada de mistérios. Há muito sobre os moradores anteriores a eles que não se sabe ao certo. Para se isolar do mundo e poder ler seus livros em paz, Florence se recolhe a uma das torres do casarão, de onde pode observar quem entra e quem sai. Com o passar do tempo, uma nova tutora, Srta. Taylor, surge na casa, para cuidar dela e de seu irmão. Na mesma época, Florence passa a sonhar com uma mulher que ameaça de morte o seu irmão Giles, o que a deixa preocupada. Mas que mistérios rondam essa propriedade? O que há no passado de Florence e Giles que tanto lhes é escondido? O que esconde a Srta. Taylor? E em que medida imaginação e realidade se fundem?

Esse livro traz uma narrativa em primeira de pessoa de uma garota que busca na imaginação a fuga de sua realidade, ainda que esse escape seja proibido. Tem elementos de fantasia e suspense. A história trilha pelo caminho de fuga da heroína em busca de respostas para suas perguntas e usa de sua mente para trabalhar o enredo. A narrativa é ágil, mas ainda assim não é pautada em diálogos e sim em descrições e parágrafos longos. Há bastante ação na história, o que torna o ritmo de leitura bastante acelerado.

Confesso que tinha altas expectativas na leitura desse livro pelo título e pelo o que a sinopse prometia. Porém, a leitura foi bastante decepcionante. O autor guiou a história de modo que descaracterizou todo a ideia inicial do livro. O início é muito bom, os primeiros capítulos prendem bastante o leitor, mas o desenrolar da história se perde. A tradução do título no Brasil também foi um ponto negativo. No original, Florence and Giles, tem-se os nomes dos protagonistas. Aqui, a capa e o título passam uma ideia completamente diferente do que a história propõe. 

De maneira geral, o livro não me agradou, porém indico para quem tiver interesse na história e que goste de livros de fantasia e suspense.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

[RESENHA] A Terra Inteira e o Céu Infinito de Ruth Ozeki

Editora: Casa da Palavra
Publicação: 2014
Páginas: 462


Ruth é uma escritora que vive em uma remota ilha do Canadá. Certo dia, ao caminhar pela orla enquanto cata mariscos com seu marido, se depara com um saco plástico escuro e percebe que há algo em seu interior. Como quando acontecem tsunamis na Ásia, esporadicamente resquícios dos destroços aparecem por lá, ela resolve investigar o seu conteúdo. Logo ela se depara com uma lancheira da Hello Kitty vermelha, coberta de cracas. Ao abri-la, ela encontra um livro preto, de capa dura, de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido. Mas ao folheá-lo ela percebe que não se trata do livro em si, mas sim de um diário de uma garota japonesa, Nao Yasutani.

Nao é uma garota que tenta escapar de sua realidade. Sofrendo bullying na escola e com um pai suicida e alcoólatra, por ter perdido todo o seu dinheiro no Vale do Silício, onde trabalhava e morava com a família. Um dia, ela resolve ler as cartas de seu bisavô e escrever um livro sobre sua avó, uma monge budista de 104 anos que é sua inspiração de vida. Para registrar todo esse processo, ela resolve criar um diário. Ao lê-lo, Ruth ficará extremamente intrigada e viciada na narrativa. Mas o que ela não sabia é que essa viagem iria mexer com sua vida, seu relacionamento e seu modo de enxergar o mundo.

A partir de seu primeiro contato com o diário, Ruth buscará a todo custo o paradeiro de sua dona, saber se ela está morta ou viva e, se sim, onde ela mora hoje em dia. Ela ficará tão conectada com a história que lê que fará com seus amigos e seu marido também a leia, o que ocasionará problemas em seu relacionamento. Nao é uma jovem tipicamente japonesa, usando gírias e tendo o comportamento dos jovens da época. Ela sofre bastante bullying de seus colegas de escola, por ter saído do Japão com seu pai e por ter retornado à sua terra natal. Ela vive numa casa muito simples, em virtude da atual situação econômica de sua família.

Algumas passagens do livro nos fazem refletir bastante, sobre vida, morte, como aproveitamos nosso tempo e como damos valor a ele. Há muitos quotes reflexivos e tocantes. Ao longo do livro temas delicados são tratados, como suicídio, prostituição, abuso sexual, entre outros. Gostei da forma como a autora colocou e abordou eles ao longo da narrativa, principalmente naqueles que tangem o personagem de Nao. Também é abordado um pouco da história do Japão e sua cultura. Há algumas palavras escritas em japonês e muitas gírias usadas pelos jovens de lá, o que faz com que o livro tenha muitas notas de rodapé explicativas. A Segunda Guerra Mundial e suas consequências também são abordadas.

Mesmo o livro sendo bastante profundo, não me conectei a ele em nenhum momento e tive dificuldade em avançar na história. A autora foca nas descrições, usando de poucos diálogos, tornando a leitura arrastada e parada. Os capítulos são alternados, ora temos a visão do diário de Nao em primeira pessoa, ora seu reflexo no dia a dia de Ruth, em terceira. Esse tipo de narrativa tornou o livro moroso pois, na medida que líamos o que Nao narra no diário, no capítulo subsequente temos os reflexos daquela mesma história sob o ponto de vista de Ruth, em sua vida. Em alguns momentos, o livro parece dar voltas e não avançar para lugar nenhum. 

Recomendo a todos que gostem de livros no formato de diário e que gostem de se aprofundar um pouco mais na história do Japão.