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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[RESENHA] Garota, Interrompida de Susanna Kaysen

Editora: Única
Páginas: 188
Publicação: 2013

Susanna Kaysen é uma jovem de 18 anos que apresenta um comportamento pouco típico para as pessoas de sua idade. Em virtude desse deslocamento social, sua mãe resolve consultá-la com um psicólogo e, no meio de uma dessas sessões, ela tenta cometer suicídio. É nesse momento que percebe-se que há algo incomum em sua mentalidade e suas atitudes para com o mundo. Então, ela resolve se internar numa clínica psiquiátrica, de livre e espontânea vontade, para se tratar. Susanna tem Distúrbio de Personalidade borderline, ou Transtorno de Personalidade Limítrofe, um transtorno mental em que a pessoa tende a agir de forma impulsiva, sem pensar nas consequências e apresenta uma forte instabilidade afetiva. Em Garota, Interrompida ela contará um trecho de sua vida, mostrando como lidou com essa doença e todo o período de dois anos em que ficou internada no Hospital Psiquiátrico McLean. Nesse livro ela falará dos eletrochoques, dos efeitos colaterais dos remédios, da convivência com suas colegas de internação e das amizades feitas.

É bastante interessante acompanhar a evolução na reabilitação da Susanna. Como a história é narrada em primeira pessoa, temos a impressão de que, dentre todas as outras pacientes da clínica, ela não tem nenhum distúrbio ou comportamento que necessite estar lá. A medida que acompanhamos sua evolução, começamos a perceber o que realmente está acontecendo.

O livro é fino e a leitura é rápida, mas não menos intensa. É como se ele fervesse nas suas mãos e você não conseguisse abandonar a leitura em nenhum momento. Mesmo sendo uma auto-biografia, a narrativa tem o tom de ficção, o que torna essa história chocante, pois o tempo todo temos que se lembrar que ela é real. Entre os capítulos tem-se alguns documentos originais da internação da Susanna, o que serve para reforçar um outro ponto de vista, o do lado de fora da história. São relatórios médicos, receitas, descrições do comportamento dela, etc., que servem para mostrar suas tentativas de suicídio, agressões a funcionários e crises que teve já dentro do hospital.

A leitura desse livro me trouxe um misto de emoções constante. Ele é tão cru, tão real que é como se eu me colocasse o tempo todo no lugar da Susanna, me questionando o que era real e o que era fruto da mente humana. É impossível sair desse livro da mesma forma como se entrou. É um texto que mexe com os sentimentos humanos e nos expõe a diferentes situações, que, particularmente, eu não tinha tido contato anteriormente.

A adaptação para o cinema foi muito bem feita, sobretudo nas cenas em que demonstra a mente da Susanna. O recurso de intercalar o passado e o presente, sem evidenciar isso, demonstrou bem como funciona a mente de quem tem o distúrbio de borderline.

Recomendo a todos que queiram uma leitura impactante, forte e reflexiva.