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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

[RESENHA] A Menina que Contava Histórias de Jodi Picoult


Editora: Verus 
Páginas: 490
Publicação: 2015

Sage Singer é uma jovem mulher, com uma cicatriz no rosto, que esconde um passado. Ela trabalha a noite em uma padaria herdada de seu pai, o antigo padeiro da região. Escolheu esse turno para poder fugir do convívio em sociedade do dia e usa isso como refúgio de seus problemas. Sua mãe faleceu e lembranças ruins tendem a adentrar a sua mente o tempo todo. Para conseguir lidar com isso, ela participa de um grupo de luto, em que pessoas que perderam entes queridos se encontram na tentativa de buscar forças uns nos outros para continuar a vida. Lá ela conhece Josef Weber, um senhor idoso que logo começa a lhe visitar em sua padaria. Mas o que ela não sabe é o que ele esconde e, pior ainda, o pedido que ele irá lhe fazer.

Ao revelar o seu segredo mais forte, Josef percebe que ninguém conseguirá realizar o seu maior desejo. Ele vê em Sage a pessoa que poderá fazer isso acontecer, mas ela não interpreta desse jeito. Se ela o fizer esbarrará em muitas barreiras não só morais, como também legais e as consequências virão não só para ela, como também para a sua família e amigos. 

Em paralelo a isso, conheceremos a história da avó de Sage, uma senhora que sobreviveu ao holocausto. Sua história de vida, triste e forte como a de todos os daquele período, fará com que nossa protagonista enxergue além e, ao fazer ligações, descubra uma situação completamente nova em que acabou inserida. 

A Menina que Contava Histórias é o segundo romance de Jodi Picoult que tenho contado. O primeiro dela que li, Coração de Mãe, cuja resenha você confere aqui, não me fisgou tanto assim. Mas, as críticas muito positivas, aliadas á narrativa da autora, que tive o prazer de perceber o quão era boa, me fizeram querer mais livros dela para tirar essa primeira impressão. Foi a minha decisão mais acertada e foi com esse livro que a autora me conquistou.

A história mescla diferentes pontos de vista de diferentes personagens, com um complementando a visão do outro. Esse recurso é essencial para a construção da linha narrativa da trama. A alternância de visões faz com que possamos habitar a mente de cada um e, também, visualizar o seu passado e presente, entendendo as motivações e percebendo, aos poucos, como a história se encaixará, sem, ao mesmo tempo, conseguir prever o seu desfecho maior.

Jodi Picoult tem uma escrita brilhante. Sempre tratando temas delicados em seus livros, ela consegue fazer com que a leitura seja leve e o leitor se sinta tão entretido com o livro que não perceberá o quão já adiantou na história. Mesmo com quase 500 páginas, lhe garanto que esse é um daqueles livros que fazem com que você não consiga largar em nenhum momento.

A construção da trama principal merece destaque. A autora tem sensibilidade para fazer personagens humanos, com suas idiossincrasias e motivações definidas. É como se "descascássemos" cada um aos poucos e fossemos nos aprofundando melhor, conhecendo cada um e descobrindo o que aconteceu para ele ser/ter determinadas atitudes.

O livro é forte. Basicamente todos os que já li até agora que tratam a temática do nazismo tendem a me levar a refletir bastante e com esse não foi diferente. O plot do livro narrado nesse período é de levar qualquer leitor às lagrimas. Incrivelmente tocante e sensível.

Recomendo demais a todos que gostem de livros com essa temática, que gostem de dramas bem escritos de uma maneira geral e que gostaram dos outros livros da autora.

                                                                     

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[RESENHA] Coração de Mãe de Jodi Picoult



Editora: Verus
Páginas: 471
Publicação: 2014

Paige é uma jovem de 18 anos que mora em Chicago e que foi criada apenas pelo seu pai. Tendo apenas memórias curtas de sua mãe, de quando ainda era muito pequena, ela decide sair de casa em busca de seu maior sonho da vida: fazer faculdade de artes. Porém, ao se ver sozinha e tendo que se sustentar, ela consegue um emprego de garçonete num bar. Lá ela desenvolverá seus dotes artísticos fazendo desenhos dos clientes e ganhando um dinheiro extra com isso. É quando ela conhecerá Nicholas, um ambicioso estudante de medicina que logo passará de cliente a namorado dela.

Nicholas é um jovem que cresceu rodeado de luxo. Filho único de uma família extremamente rica, ele cursa medicina visando ganhar muito dinheiro e ser muito bem sucedido na vida. Mas, quando conhece Paige se apaixona perdidamente por ela e eles acabam se casando. Seus pais logo rejeitam essa união, alegando que ela não é mulher para seu filho e ambos começam a morar juntos, dividindo as dívidas.

Quando tudo parece se acertar e Paige resolve retomar seu sonho, ela engravida e entra numa espiral de sentimentos contraditórios. Por ser uma gravidez não planejada, que chegou em um momento "errado" para o casal, ela se vê sobrecarregada tendo que cuidar do filho e abdicar de tudo em prol dele. Logo ela desenvolverá depressão pós-parto e seu casamento com Nicholas irá de mal a pior. Fantasmas de seu passado e a ausência de uma mãe durante a sua infância a fará questionar se ela mesma está pronta para a maternidade. Até que ela toma uma decisão drástica que terá consequências muito fortes para todos os que a rodeiam.

Coração de Mãe é o primeiro livro que leio da Jodi Picoult. Sempre tive muita curiosidade em ler os livros dessa autora, uma vez que eles são muito elogiados por blogueiros com os quais tenho gosto parecido. Porém, não sei se deveria ter começado por esse título...

Não consegui me conectar com a história em nenhum momento. Os personagens principais não tem carisma e desde o começo o leitor consegue perceber a falta de química entre o casal. Paige é muito egocêntrica em vários momentos e comete erros imperdoáveis como mãe. A decisão que ela toma em determinado momento da narrativa é completamente inconsequente e coloca em risco a vida de seu próprio filho. Isso me fez me afastar cada vez mais da personagem e não criar nenhum tipo de afeição pelo seu drama. Nicholas, por sua vez, também é um personagem pouco carismático. Sempre tendo atitudes tão egoístas quanto, ele se demonstra o tempo todo como um garoto mimado que não consegue tomar as atitudes por si só.

Entendo que a autora teve a proposta de desconstruir as personalidades dos protagonistas tentando trabalhar as relações deles com o filho, mas não achei que isso ficou claro no texto. Os personagens tem seus psicológicos bem construídos, mas seus papéis oscilam muito ao longo da narrativa. Ambos em determinado momento são muito apaixonados, depois egoístas, pensando apenas em suas carreiras, depois se alternam entre vítima e desertor. Isso tudo ficou extremamente confuso. A aceitação dos erros,o perdão e a maneira como a normalidade entra novamente na história se deu de maneira muito rápida, sem um bom trabalho de tempo em cima disso. O final foi frustrante, sem uma resolução para o drama que tomou conta das últimas páginas.

O ponto alto do livro é, sem dúvidas, a narrativa da Jodi Picoult. Embora a história tenha sido fraca a meu ver, a escrita da autora me ganhou completamente. Ela consegue fazer com que o leitor fique intrigado com o que vai acontecer. Os diálogos e as descrições são bem dosadas, a maneira como as cenas são justapostas foi incrível e a inserções breves de flashbacks ao longo da linha principal foi excelente. Os capítulos são alternados entre a visão de Paige e Nicholas, tendo primeira pessoa nos dela e terceira nos dele. Isso trouxe um bom dinamismo à leitura e demonstrou o quão a autora pesquisou sobre os temas tratado, sobretudo às técnicas médicas usadas por Nicholas.

Mesmo com todos os problemas listados, quero muito dar uma nova chance à autora e ler outros livros com outras temáticas que ela escreveu. Talvez esse não tenha sido o livro ideal para eu começar a lê-la. De qualquer forma, recomendo a quem gosta de romances com dramas familiares.                                                                     


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