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domingo, 19 de outubro de 2014

[RESENHA] Centelha (Em Busca do Novo Mundo #2) de Amy Kathleen Ryan



Editora: Geração Editorial
Páginas: 373
Publicação: 2014

Resenha de Brilho (Em Busca do Novo Mundo #1)

Após toda a tormenta ocorrida na New Horizon, Waverly começa a descobrir situações completamente novas em sua nave mãe. Kieran tornou-se o grande líder, mas seu comportamento é o mais tirano possível, fazendo com que os tripulantes já não o aguentem mais no poder. Seth, por sua vez, foi colocado em uma situação em que nunca pensaria estar. Em paralelo a tudo isso, surge um boato de que um terrorista teria invadido a Empyrean e que colocaria em risco a vida de todos os tripulantes. Mas quem seria essa pessoa? Haverá finalmente um acordo de paz entre New Horizon e Empyrean? E eles chegarão à tão sonhada Terra Nova?

Centelha é o segundo livro da trilogia Em Busca do Novo Mundo, começada por Brilho e que já tem seus três volumes lançados nos Estados Unidos. Nele veremos como as consequências das situações ocorridas no primeiro volume modificam a vida dos protagonistas e dos tripulantes das naves. Waverly passará por grandes surpresas ao descobrir a real face de Kieran, que se tornou um líder tirano. disposto a derramar o sangue de qualquer um para se manter no poder, bem diferente do garoto dócil pelo qual estava apaixonada. Também teremos Seth em uma nova situação, o que possivelmente diminuirá sua capacidade de auxiliar a nave. A capitã Mathere também retorna tendo papel de destaque na trama. É bom ficar atento às cenas em que ela aparece, pois são bastante reveladoras.

Há a introdução de um novo elemento nesse segundo livro, Um terrorista invade a Empyrean e deixa rastro por onde passa. Até então, ninguém sabe se esse criminoso realmente existe ou se seria apenas um delírio da cabeça de Kieran. Posteriormente, descobre-se que Waverly é a chave de seu ódio e de sua sede de vingança. Seria ele da New Horizon? 

Esse plot foi muito bem trabalhado pela autora e seu desenvolvimento ficou muito bom. Amy conseguiu cruzar as informações do terrorista com as do plot principal da história e, mesmo sendo um braço do enredo principal, fez dele um grande elemento ao longo do livro. A narrativa da autora continua focada nos parágrafos, porém a quantidade de diálogos aumentou consideravelmente. Gostei da maneira como ela dividiu o livro em ciclos, fazendo bons arremates e conectando bem um ao outro.

Mesmo com os capítulos sendo mais extensos e aparecerem em menor número nesse livro, achei que a história ficou muito mais rápida que no primeiro. As cenas de ação são seguidas uma da outra, fazendo a leitura ficar fluída. O livro termina em cliffhanger* e isso me deixou curioso para a sua continuação e último livro.

Confesso que me afeiçoei mais com a série a partir desse livro, uma vez que o primeiro não tenha me motivado tanto assim. Em Centelha a real motivação dos personagens ficou clara e as relações interpessoais deles também. É perceptível por exemplo, o crescimento de Seth na narrativa, agindo de forma mais contundente. Waverly também ganha destaque, tornando-se mais tirano do que nunca e fazendo bom uso dessa tirania para defender a Empyrean.

Recomendo a todos que gostaram do primeiro livro e a todos que gostam de livros distópicos e que se passem no espaço sideral.

*Recurso usado por autores e roteiristas de modo a deixar a cena inacabada, sem definição e despertar a curiosidade do leitor/espectador para uma possível sequência.
                                                                     

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

[RESENHA] Brilho (Em Busca de Um Novo Mundo #1) de Amy Kathleen Ryan

Editora: Geração Editorial
Páginas: 352
Publicação: 2012

O planeta Terra foi devastado pelos humanos que aqui viviam e acabou se extinguindo. Os remanescentes desde então vivem em duas grades naves, Empyrean e New Horizon que viajam a esmo no espaço sideral em busca de um novo planeta habitável, há aproximadamente 40 anos. Nesse novo sistema, os jovens devem se casar rapidamente para que procriem e perpetuem a espécie, independente de amarem ou não seu futuro companheiro. Porém, os habitantes da Horizon não estão conseguindo cumprir com tal missão e precisam desesperadamente de jovens para que sua taxa de natalidade tenha sucesso e sua população não colapse. Em virtude disso, eles resolvem invadir a nave-irmã em um ataque surpresa para levar de lá suas melhores jovens, afim de engravidá-las a força.

Conheceremos Waverly, uma garota de 15 anos que vive a bordo da Empyrean e faz parte da primeira geração concebida completamente no espaço. Ela é muito próxima de Kieran Alden, um jovem ao qual ela é muito amiga e que será o próximo capitão da nave, cargo maior nessa nova hierarquia de poder. Kieran logo lhe proporá casamento e, em virtude da forte pressão para que eles tenham filhos, Waverly resolve aceitar a proposta. Porém ela não se sente completa com tal situação, pois quer ter um pouco mais de liberdade para aproveitar sua vida e não ficar presa em um casamento. Diante disso, ela começa a se sentir atraída por outro tripulante, Seth, que também trabalha no nível organizacional. Ao sofrer um ataque repentino e violento da New Horizon, Waverly é levada à força, junto com outras jovens, para a segunda nave. É a partir daí que começará uma jornada de auto-conhecimento e que colorará a prova sua confiança em seus dois pretendentes e nas pessoas ao seu redor.

Brilho é o primeiro livro da trilogia distópica Em Busca do Mundo Perdido, que já tem seus três títulos lançados nos Estados Unidos. O plot principal gira em torno da nave Empyrean, em como eles organizaram a ordem, o governo, a alimentação, a moradia e a vida de seus tripulantes, bem como se dá a política dessa nova sociedade. A nave é dividida em várias áreas, com funções delimitadas, como agricultura, reciclagem, preparação de alimentos, segurança, etc. O romance gira em torno do triângulo amoroso criado pela autora. Waverly, Seth e Kieran são da nova geração, primeira que nasceu no espaço, e nunca tiveram contato com o planeta Terra. Para saber mais sobre, eles recorrem aos tripulantes mais antigos que usam de suas memórias e de alguns objetos para trazer recordações. 

A autora aborda temas bastante polêmicos ao longo do livro. Manipulação pela religião, abuso de poder, feminismo, escolha de uso do corpo pela mulher, dentre outros, são tratados dentro das histórias dos personagens principais. Gostei dessa abordagem e achei muito corajoso por parte da Amy falar sobre esses assuntos num livro dedicado ao público adolescente e jovem adulto. Há muitas reviravoltas na história. Waverly, após se tornar prisioneira, começará a enxergar as coisas de outro modo, do ponto de vista de quem está fora da nave Empyrean. Ela também terá uma arqui-inimiga que fará um contra-ponto em seu papel de heroína. Não posso falar mais sobre essa personagem, que tem papel fundamental na trama, por ser spoiler do que acontece na New Horizon. Mas recomendo que fiquem atentos a ela durante a leitura.

A psicologia dos personagens também é um ponto positivo no livro. A construção deles, bem como seus lados humanos, com defeitos claros e com o uso da famosa mudança repentina de personalidade, é bem claro. A sede pelo poder e os caminhos que são utilizados para se chegar a ele também é um plot usado pela autora. Os personagens de Seth e Kieran são bastante trabalhados nesse sentido.

Por ser o primeiro livro de uma série, ele é bastante introdutório, criando o universo da história e focando bastante na descrição dos cenários e na explicação da fisiologia das novas sociedades criadas. Isso torna a leitura um pouco mais parada nesses momentos, mas julgo ser útil e necessário para o entendimento desse e dos próximos livros da série. Confesso que não sou fã de histórias, tanto de livros como de filmes, que se passem no espaço sideral. Não sei muito bem o motivo, mas nunca me senti conectado a esse cenário. Talvez por isso que eu tenha demorado um pouco mais na leitura desse livro e não tenha me sentido conectado à história ou aos personagens. Vale destacar o trabalho da Geração Editorial na capa, que é repleta de detalhes com purpurina que remetem às estrelas, e no projeto gráfico do livro.



Recomendo a todos que gostem de distopias YA.