Editora: Chiado Editora
Páginas: 192
Publicação: 2015
Victória está
trabalhando em um projeto de um casarão que está para ser tombado. O lugar
pertenceu aos seus antepassados. Ela encontra em algum quarto um livro antigo e
tudo indica ser o diário de algum membro de sua família. Mal sabe ela que o
livro contendo várias palavras e situação pertenceu a uma prima distante em
1855. O diário contém a história de Maria Clara, que desde o seu nascimento
conhece o sabor do desprezo. Casou-se com Afonso, o que nada parece ser um
casamento, pois seu marido é distante de forma inexplicável. Ela não tem
ninguém para se apoiar e desabafar suas lamúrias, somente um objeto em branco e
com a ajuda de uma caneta, poderá marcar sua vida em palavras. Isso é uma
auxílio e consolo para o que ela enfrentou.
Outro
parâmetro da história é Rodrigo, que encontra no computador de sua esposa
vários relatos do seu cotidiano. Mariana é nutricionista e tem problemas com a
balança. Seu casamento, para ela, está morto. O motivo de estar assim é seu
marido priorizar a profissão de médico, e esquecer o seu lar e sua esposa. A
leitura da história de sua esposa será um verdadeiro choque, mas ele sabe que
melhor saber de toda verdade do que viver uma mentira.
A obra “Restos
de nós” contém duas histórias que se complementam. Uma é passada no ano de
1855, em plena época dos escravos. Outra é passada em 2005. Duas mulheres em
espaço temporal diferente, mas suas histórias são semelhantes. O que mostra que
o tempo pode passar, gerações podem aparecer, mas os problemas poderão seguir
uma linha tênue. Maria Clara e Mariana vive um casamento, cujos maridos por
seus motivos vivem isolados. Seus corações a cada dia são partidos por cada
atitude de desprezo. As paixões passam em suas vidas e é como o pecado,
irresistível. Elas se apoiam em seus diários e ali depositam sua alma, percebem
que ali é o lugar que se encontram é o melhor amigo que se pode ter.
"A tristeza em do fundo da alma, onde a âncora não consegue mais se/me segurar. Tão profunda que a escuridão me cega e, ao mesmo tempo, justifica a dor de se viver (sede de) ver."
As
personagens são sensíveis e reconhecem que suas vidas não era aquilo que
planejou e sonhou. Mas em algum lugar dentro delas há uma força, uma atitude
que aos poucos vão crescendo no decorrer dos dias. As situações que passam
fazem com que elas amadureçam e veem a vida de outra ótica.
As
construções dos personagens em determinados momentos achei falha. O nome de
Mariana é citado no começo e no fim da história, o que poderia frisar no
desenvolvimento da trama, pois esqueci em certo momento o nome de uma das protagonistas.
Maria Clara, pelo contrário, seu nome é lembrado em vários momentos propícios
para a história.
A escrita de
Bia é fluida e conseguiu trazer duas tramas, sem deixar o leitor perdido com as
datas. A obra tem um desenvolvimento em que o clímax seguem simultaneamente as
duas histórias, as emoções são expressas paralelemente. A leitura foi rápida e
conseguiu trazer várias lições nas entrelinhas.
Para quem é fã
de histórias que são contadas por diários, uma narrativa dramática, esse livro
é recomendado. Duas histórias, em épocas diferentes, mas que se encontram em um
lugar. Situações tristes, mas que são tão reais ao nosso redor. Não importa a
época, todos nós temos uma história para ser contada. Ela poder ser boa ou não,
feliz ou triste.






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